O Espírito, o Poder e a Cruz

Em geral, os cristãos tendem a associar a pessoa do Espírito de Deus ao poder e às manifestações de milagres. De fato, Jesus, momentos antes de ascender aos céus, disse aos discípulos: “… mas receberão poder quando o Espírito Santo descer sobre vocês, e serão minhas testemunhas …” (Atos1.8). Desse modo, é natural que os que vivem segundo Cristo, vivam no poder do Espírito (Rm8.5). O Apóstolo Paulo disse que, quando esteve em Corinto, suas pregações a eles não consistiram “de palavras persuasivas de sabedoria humana”, mas “de demonstrações de poder do Espírito (2.4).

O livro de Atos dos Apóstolos está repleto de ações poderosas do Espírito, realizadas pelos discípulos. Pedro, por exemplo, em sua primeira pregação, levou a Cristo “cerca de três mil pessoas”. Depois, quando entrava com João, no templo, curou um aleijado de nascença, o que causou grande admiração aos presentes. Interrogado pelas autoridades religiosas e mestres da lei sobre aquele milagre, o texto diz que “Pedro, cheio do Espírito Santo” deu esclarecimentos e anunciou Jesus a eles, os quais ficaram admirados com a sua coragem e preocupados com as suas ações de poder espiritual.

No entanto, convém destacar que o poder do Espírito está também relacionado à vida de sofrimento, em função do testemunho de Cristo. Jesus disse: “υμας και εσεσθε μοι μαρτυρες” (himás kai esseste moi martires) – “e vós sereis minhas testemunhas”. Essa palavra “testemunho”, em grego, “μαρτυρια” (martíria), vem do verbo “μαρτμρέω” (martiréo) que significa “eu testemunho”, “eu testifico”. Está claro, então, que se posicionar como cristão, perante o mundo, pode resultar em dor, sofrimento e martírio. Contudo, o poder do Espírito, no crente, o ajudará a suportar tais tribulações.

Um caso emblemático que mostra essas duas faces do poder do Espírito Santo pode ser observado no episódio em que o rei Herodes “prendeu alguns que pertenciam à igreja”, incluindo Tiago, irmão de João, e Pedro. Este saiu da prisão com a ajuda de um anjo, mas Tiago foi morto à espada (Atos 12). Tendemos a exaltar o livramento de Pedro, mas ficamos confusos com o fato de Deus ter permitido a morte de Tiago. Imersos em uma cultura hedonista, não compreendemos que Tiago glorificou a Deus com o seu “μαρτυρια”, isto é, seu testemunho fiel até a morte.

Outro exemplo da ação do Espírito de Deus, para a glória e para a dor, pode ser visto na vida do Apóstolo Paulo. Cheio do Espírito, escreveu quase metade dos livros do Novo Testamento e levou o evangelho ao mundo gentílico. Realizou muitos milagres e teve visões inefáveis do reino divino (2Co12.2). Contudo, como servo de Deus, viu-se muitas vezes “em sofrimentos, privações e tristezas; em açoites, prisões e tumultos (2Co6.4). Sobre Paulo, disse Deus: “mostrarei a ele o quanto deve sofrer pelo meu nome” (Atos9.15,16).

Antônio Maia – M. Div.

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