Nos Criastes Para Vós

Santo Agostinho (354-430), teólogo e filósofo cristão africano, em sua obra Confissões, falou que procurou a felicidade e o sentido da vida nas paixões humanas. Mas isso só lhe trouxe angústia e aflição a ponto de considerar-se “um lugar de infelicidade, onde não podia permanecer”, mas de onde não podia afastar-se. Depois de muita busca e luta interior, encontrou-se com Deus e pôde, então, declarar: “nos criastes para Vós e o nosso coração vive inquieto enquanto não repousar em Vós”.

A experiência dele é a de todos nós, pois o homem é um ser voltado para Deus. A Arqueologia e a História atestam que a expressão religiosa é um traço característico da humanidade, observado até nas culturas e povos mais antigos. Mesmo na sociedade científica e tecnológica de hoje, observa-se esse fenômeno. Há religião por toda parte, onde quer que se ande e, às vezes, inúmeras numa mesma área geográfica.

Mas esse exorbitante número religiões não significa que o homem ande com Deus; ao contrário: é uma evidência de que se encontra perdido e separado dele. As múltiplas visões divinas, esboçadas nas crenças religiosas, mostram que ele não o conhece, mas que carrega, no íntimo, alguma coisa que o faz lembrar do Criador. É como se o homem sentisse saudade de Deus e desejasse reencontrá-lo. Algo o atrai à Divindade.

O povo de Israel é um extrato da humanidade, separado por Deus para com ele relacionar-se e revelar-se. Embora, tendo recebido a Revelação divina, à época do Profeta Jeremias, vivia em decadência moral, ética e espiritual e estava na iminência de ser levado cativo para a Babilônia. Mas, mesmo assim, Deus falou por meio de Jeremias: “com amor eterno eu te amei; por isso, com benignidade te atraí” (31.3).

Aquelas palavras eram o início da profecia de que Deus libertaria Israel do cativeiro babilônico e o levaria de volta à terra que lhe havia dado por causa do reencontro de Israel com Ele, no desterro. Não é difícil perceber que hoje a humanidade se encontra distante de Deus, num exílio auto imposto. A ausência divina nos corações dos homens os inquieta, os angustia e os faz desejar Deus, pois sentem que só encontrarão paz e felicidade quando “repousarem” nele.

Antônio Maia – M. Div.

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